O impacto da pandemia no mercado segurador

Como todos os restantes setores, o mercado de seguros sentiu o impacto da pandemia de COVID-19. No fim do primeiro semestre de 2020, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimava uma queda de quase 5% na economia mundial, enquanto a Comissão Europeia previa uma redução de 8,7% na área do euro e o Banco de Portugal projetava uma queda de 9,5% no país, o que levaria a uma recessão histórica. 

 

As últimas projeções delinearam um cenário ainda preocupante, mas menos catastrófico, e em dezembro, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apontou uma contração de 8,4% em Portugal em 2020 e um crescimento de 1,7% em 2021. Determinados segmentos – como a restauração, o comércio, o turismo e a aviação civil – sentiram mais fortemente os efeitos do confinamento social e das medidas restritivas, enquanto outros sentiram menos ou até beneficiaram do mesmo – caso dos serviços de tecnologia digital, streaming e entregas.

 

Para o mercado de seguros, a pandemia foi um gatilho para a intensificação dos riscos registados nos períodos anteriores. De acordo com o estudo "Análise de Riscos do Setor Segurador e dos Fundos de Pensões", divulgado em agosto de 2020 pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), em 2021 o cenário será determinado, principalmente, pela velocidade da recuperação económica e na sua capacidade de conter os impactos da crise nas famílias e nas empresas, em relação ao emprego e ao endividamento.

 

O estudo da ASF mostra quais os riscos macroeconómicos da indústria seguradora que se mantêm no “vermelho”, ou seja, no nível máximo da escala. Por outro lado, os níveis de liquidez continuam no “verde”, com tendência de alta, enquanto os riscos na categoria rentabilidade e solvabilidade foram revistos de médio-baixo para médio-alto, com tendência ascendente. Os riscos específicos dos seguros vida e não vida continuam estáveis, no nível médio-alto.

 

Salienta-se a importância da manutenção de elevados padrões de conduta por parte das empresas de seguros e do tratamento justo e equitativo dos consumidores, assegurando o alinhamento dos produtos com as suas necessidades efetivas, sem, contudo, descurar o equilíbrio técnico e a incerteza persistente quanto ao padrão de evolução futura da sinistralidade”, afirma a análise da ASF. Neste contexto, as empresas seguradoras terão de se adaptar a algumas mudanças de paradigma, que requerem um investimento ainda mais consistente na digitalização das suas operações e a adaptação de modelos de trabalho mais ágeis e eficientes em termos de custos.

 

A necessidade de um esforço de digitalização também foi apontada numa pesquisa feita pela tecnológica portuguesa Xpand IT, denominada O Futuro das Seguradoras nas Experiências Mobile, que considerou, igualmente, o impacto da pandemia. O estudo aponta este e outros desafios, como a necessidade de resposta à intensificação das ameaças de ataques cibernéticos e a importância da análise de dados avançada para compreender melhor o novo consumidor e poder servi-lo da forma como espera. 

 

Nas suas conclusões, a pesquisa da Xpand IT afirma que o cliente que sai desta crise não será o mesmo cliente de antigamente, e acrescenta: “Embora a pandemia tenha sido responsável pela disrupção de tantas empresas e das vidas de tantas pessoas, também revelou oportunidades de crescimento. É claro que as seguradoras têm agora uma oportunidade de fazer as coisas de maneira diferente e de se envolver com os seus clientes e comunidades de uma forma diferente, com um propósito diferente”.

 

A RNA concorda com esta ideia e, mesmo antes do início da pandemia, já investia com consistência em ferramentas digitais e noutros meios de aproximação com os seus clientes, para poder proporcionar a melhor experiência e um atendimento ágil e eficiente. Para a RNA, cada cliente é único, e por isso deve receber uma atenção personalizada, acima das suas expetativas. Todos aprendemos com a crise e sairemos dela ainda melhor do que éramos – é essa a convicção da RNA. 

 

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